Conselhos de um Piloto que Conseguiu Envelhecer

No que diz respeito à fabricação, os helicópteros que nós voamos atualmente são bastante seguros: a probabilidade de acidente devido a uma falha mecânica é de um para cada milhão de horas voadas. Infelizmente, as estatísticas mostram que acontece um
acidente a cada 4000 horas. Por quê? A verdade é que os acidentes são causados em grande parte por falha humana, erros de manutenção e muitas vezes à ineficiência do piloto. É importante acreditar que um acidente pode acontecer com você, qualquer que seja a sua experiência. Acidentes não acontecem só com os outros.

Mas como a história é uma eterna repetição de fatos, dificilmente você se verá envolvido em uma situação que outro piloto já não tenha passado. Assim, se você puder evitar os erros cometidos anteriormente, pode ficar certo de atingir o fim de sua carreira sem acidentes. Aprenda sempre com o erro dos outros, pois você não terá tempo para repeti-los todos!

Parada do motor em vôo - Os equipamentos mecânicos tem se mostrado muito confiáveis ultimamente, e falhas inesperadas não são comuns. Entretanto, por incrível que pareça, muitos acidentes ainda acontecem por parada do motor em vôo por falta de combustível.

A falta de combustível pode ocorrer por algumas das seguintes razões: o piloto pensa que a aeronave poderia voar por mais alguns minutos quando o ponteiro já está perto do zero; ou quando o ponteiro do liquidômetro esta sem funcionar ou marcando incorretamente.

As precauções a se tomar são evidentes: respeito as regras de combustível. Durante o vôo cheque se o liquidômetro está indicando corretamente, comparando a diminuição da leitura com o consumo horário. Se possível, faça um pouso de precaução: é melhor pousar antes que o tanque seque e pedir auxílio do que se envolver em um acidente.

A contaminação do combustível também acontece com mais freqüência em helicópteros principalmente quando se opera em áreas despreparadas ou com abastecimento por tonel. A contaminação pode ser por água que se acumula no fundo do tanque após o corte, e que chegando ao motor causará sua parada, normalmente poucos minutos após a partida. Outra possibilidade é por depósitos sólidos ou aderentes que irão bloquear o filtro de combustível. Neste caso, geralmente há uma luz de aviso de entupimento, e o piloto deve então presumir que seu combustível está contaminado.

As precauções para prevenir as falhas por contaminação são as seguintes. O combustível deverá ser filtrado, principalmente se estiver estocado em tambores, e o tanque de combustível deverá ser drenado antes do primeiro vôo do dia. Este procedimento é ainda mais importante se o tanque não estiver completo, pois neste caso a umidade da grande quantidade de ar dentro do tanque pode ter se condensado durante a noite.

Colisão com cabos

Os cabos de transmissão são os primeiros em acabar com pilotos de helicópteros, senão no número total de acidentes, mas nas estatísticas fatais.

As investigações mostraram que na maioria dos acidentes de colisão com cabos, não havia razão para o piloto voar a baixa altura. Então, um grande conselho seria dizer: Não voe a baixa altura, a menos que isto seja necessário.

Assim você irá reduzir o seu tempo de exposição, e quando a sua missão exigir um vôo a baixa altura, sua atenção estará mais aguçada que o normal. Durante todo o vôo, você deve ficar procurando por indícios da presença de fios ou cabos, como postes e torres. Localizar um fio propriamente dito durante o vôo é muito difícil. Por isto, esteja preparado para avistar um ao longo de uma estrada de ferro ou rodovia,rcruzando um rio, ou entre colinas, entre postes torres ou próximo a edificações.

Má Visibilidade no Vôo VFR

Esta causa de acidente , durante muitos anos superou todas as outras. Isto porque, graças aos recursos do helicóptero, o piloto pode evitar áreas de má visibilidade, reduzir a velocidade, fazer curvas apertadas para voltar ou mesmo pousar em uma pequena área.

Os pilotos não deveriam nunca se deixar apanhar em situação de má visibilidade. No caso de neblina reduza a velocidade e esteja pronto para voltar. E cuidado com a chuva, que pode reduzir a visibilidade a zero em questão de segundos. Não perca o solo de vista, mesmo que tenha que reduzir a altura. Se perceber que não há possibilidade de continuar o vôo em condições visuais, escolha um local para o pouso e aguarde o tempo melhorar. Esta ação preserva a sua iniciativa e evita conseqüência piores.

Aproximação com Vento de Cauda

É comum acontecer um repentino afundamento do helicóptero durante uma aproximação com vento de cauda, quebrando a aeronave e atribuindo-se o acidente à perda de potência.

Acontece que durante uma aproximação com vento de cauda, a velocidade em relação ao solo é maior do que a normal. Em conseqüência o piloto acentua o seu flare. Neste momento, embora ainda exista velocidade em relação ao solo, a velocidade aerodinâmica é zero, por causa do vento de cauda. Isto implica em perda da sustentação de deslocamento antes do esperado pelo piloto., o que pode levar o helicóptero pro chão. Portanto, faça a aproximação com vento de proa ou pelo setor dianteiro. E se excepcionalmente, por causa da configuração da área de pouso, você for obrigado a aproximar com vento de cauda, diminua a velocidade gradualmente, longe do ponto de pouso.

Colisão do rotor com obstáculos

Quando uma pá do rotor principal ou de cauda atinge o solo quase sempre o desfecho é catastrófico.

Preste muita atenção aos obstáculos perto da aeronave; antes de dar partida, olhe ao redor e visualize o seu setor de decolagem. Se você tiver dúvidas quanto ao espaço, não decole ou peça ajuda. Deve sempre haver uma margem de segurança.

Quando desacelerando perto do chão, evite o flare acentuado e termine a manobra numa altura suficiente para deixar espaço entre o rotor de cauda e o chão. Desacelerações muito próximas ao solo não significam nenhuma habilidade excepcional, apenas mostram que o piloto não cumpre as regras de segurança. Diversos helicópteros já foram perdidos neste tipo de manobra, não seja mais um!

Colisões em Vôo

O espaço aéreo é grande, mas não se deve ignorar completamente a possibilidade de colisão em vôo. Este problema é mais evidente na proximidade de aeródromo, onde a densidade de tráfego é maior. Assim: sempre olhe em volta, mesmo que esteja voando em área controlada, onde a separação de aeronaves e de responsabilidade do ATC (duas precauções são melhores que uma) atenção especial a aeroportos com várias pistas. Neste caso, atente bem para a pista autorizada pelo controle e dobre sua atenção ao tráfego de outras aeronaves.

O piloto de helicóptero deve sempre estar atento ao movimento de aves. Se encontrar-se em rumo de colisão com um pássaro, procure desviar para cima. Assim estará evitando o choque com a área da cabine ou componentes críticos como rotores e entrada de ar do motor.

Limites

Respeite os limites de sua aeronave. Ele foram estabelecidos para que você opere com segurança. Não decole com excesso de peso. Você estará impondo esforços adicionais à estrutura e principalmente aos componentes do sistema de transmissão. Provavelmente, excederá o limite de torque previsto e temperatura da turbina. Por último e mais importante, respeite os seus próprios limites como piloto.

Não deixe que a audácia sobrepuje sua perícia.

Operação no Solo

Sempre que estiver girando, o rotor é uma fonte de perigo. Tenha cuidado para que ninguém se aproxime do rotor de cauda. Preferivelmente, tenha alguém responsável para prevenir a aproximação de qualquer pessoa. Em todo caso, você deve ter em seu campo de visão todas as pessoas que devem se aproximar da aeronave. A colisão de pessoas com o rotor de cauda contabilizava 11% do número de acidentes com helicópteros. O rotor principal também é um perigo se o solo não for plano e horizontal. O piloto deve ter em mente que há risco de decapitação para pessoas que se mantenham no solo em proeminências (pedras e muros) localizadas acima do nível do rotor, ou se movimentarem no setor mais alto do aclive se o terreno for inclinado.

O helicóptero pode estar preso ao chão quando o rotor gira, através de um cabo de conexão de fonte de força, ou mangueira de reabastecimento. Antes de decolar, certifique-se que todo o equipamento de terra está desconectado da aeronave.

Pilotos jovens, todos estes conselhos podem parecer evidentes. Entretanto, saibam que em todos estes anos de operação, em todo o mundo, em 75% dos acidente que acontecem, o piloto ignorou um destes conselhos. Se vocês os seguirem aumentam bastante as suas chances de se tornar, um dia, um piloto veterano.

Vale a pena pensar nisto, não acha?

Adaptação livre do folheto Alguns Alertas de um Piloto que Conseguiu Envelhecer